O que é Yoga

O que é?

      Embora exista um crescente aumento do número de praticantes de Yoga, ainda há muita confusão gerada pela falta de informações acuradas sobre o que é Yoga, confundindo-o com faquirismo, autoflagelação, religião, ginástica, esoterismo, medicina, vegetarianismo etc. (RODRIGUES, 2006).

      Yoga é uma técnica, uma arte, uma filosofia milenar indiana, que surgiu no oriente a mais de 5000 anos e perdura até os dias de hoje (FERNANDES, 2005).  Não possuindo dogmas nem rituais, pode ser praticado por qualquer pessoa, não importando sua religião, raça, sexo ou idade (ESTEVES, 2007; FERNANDES, 2005).

    A palavra Yoga é um substantivo masculino de origem sânscrita (uma das mais antigas línguas da Índia). O termo é proveniente da raiz, YUJ, que significa “atrelar, unir, juntar”, Yoga pode significar “junção”, “união”, ou também “jugo” (GULMINI, 2001).

      “Definir Yoga é uma tarefa árdua. Genericamente podemos nos voltar ao significado desta palavra sânscrita: disciplina espiritual.” (DANUCALOV; SIMÕES, 2006, p.196).

      Para Feuerstein (2005), o Yoga é um fenômeno multifacetado, de difícil definição, pois cada regra concebível terá as suas exceções. Segue algumas definições tradicionais de autores citados por Feuerstein (2005 p.38):

      “Yoga é o controle dos turbilhões da mente (citta).” – Yoga Sûtra (1.2)

      “Yoga é habilidade nas ações.” – Bhagavad-Gîtâ (2.50)

      “Yoga é extâse (samâdhi).” – Yoga-Bhâshya (1.1)

      “Diz-se do Yoga que é a unidade da respiração, da mente e dos sentidos, e o abandono de todos os estados de existência – Maitrî-Upanishad (6.25)

      “Yoga é a união da alma vivente [individual] (jîva-âtman) com o supremo Si Mesmo (parama-âtman).” – Yoga-Yâjnavalkya (1.44)

      “Diz-se do Yoga que é a unificação da teia das dualidades (dvandva-jâla).” – Yoga-Bîja (84)

      “O Yoga segundo se diz, é controle.” – Brahmânda-Purâna (2.3.10.115)

      “Yoga é a separação (viyoga) do Si Mesmo em relação à Base do Mundo (prakriti).” – Râja-Mârtanda (1.1)

      “Diz-se do Yoga que é a unidade de expiração e inspiração de sangue e sêmen, bem como a união do sol com a lua, da alma vivente individual com o supremo Si Mesmo.” – Yoga-Shikhâ-Upanishad (1.68.69)

      “Isto chamam eles de Yoga a firme contenção dos sentidos.”- Katha-Upanishad (6.11)

      “Ao Yoga se chama equilíbrio (samatva).” – Bhagavad-Gîtâ (2.48)

      Segundo Esteves (2007), Yoga é a união ou integração do homem com o seu universo interior e exterior. É também uma ciência, um sistema filosófico prático, integrando o corpo físico até as emoções e pensamentos. Para Geis (2003), esta integração significa a conscientização pessoal, a arte de viver melhor, conhecer o próprio corpo, ter mais percepções, aprender a escutar-se, sentir-se, sobretudo, respeitar a si mesmo. A melhor definição para Silva (2007), esta em dizer que:

      “Yoga é a integração do ser individual (jêvâtaman) ao Princípio supremo (Paramâtman) a partir da superação da idéia ilusória de que estas entidades estão separadas por serem essencialmente diferentes.” (SILVA, 2007, p.15).

    Assinala Castilho citado por Rodrigues (2006), que Yoga é o encontro da periferia com o centro de nosso ser, na busca do equilíbrio físico, mental e emocional, através do conhecimento de si próprio, encontrando a harmonia, um estado de silêncio e paz interior. Rodrigues (2006) resume afirmando que Yoga é meditação, o estado mais profundo do mesmo conhecido como samadhi, sinônimo de saúde perfeita.

      Samadhi é a última etapa a alcançar, necessário para tal uma metodologia com princípios, atitudes e técnicas, encontradas no sistema de Patanjali (SILVA, 2007). Pantanjali não inventou o Yoga, e sim, codificou através do Yogasutra, o documento mais antigo sobre Yoga com 196 aforismos. Provavelmente as raízes do Yoga são mais antigas, mas com referências á práticas muito fragmentadas. O Yogasutra expõe as técnicas conhecidos como Astanga-yoga ou Yoga Real (Raja-yoga) ou ainda o Yoga Clássico (DANUCALOV e SIMÕES, 2006).

      Massola (2008), fala que na Índia costuma-se dizer que ninguém inventou o Yoga e sim foi um presente dos deuses para os seres humanos serem mais felizes.

      Segundo Esteves (2007), há diversos ramos ou caminhos do Yoga, tais como: Hatha, Raja, Jnana, Karma, Bhakti, Mantra, Kundalini – Yoga, etc. Com diferentes métodos, mas igual objetivo da busca da auto-realização do homem. Indiscutivelmente, o Yoga mais difundido no ocidente é o Hatha Yoga que utiliza o domínio do corpo, como instrumento ou caminho, para se atingir a perfeita harmonia física, mental e espiritual.

      Rodrigues (2006), afirma que:

O primeiro texto oficial sobre o assunto, conhecido como o “Yogasutra de Patañjali”, diz que “Yoga é a paralisação dos turbilhões da mente” ou “Yoga é a paralisação voluntária das modificações da mente”. Ou seja: voluntariamente parar de pensar. Yoga é também um sistema de filosofia da Índia, que reconheceu que sem boa saúde física e mental não será possível a aquisição de estados profundos de concentração; que mente, corpo e espírito interagem. Portanto uma filosofia prática. (RODRIGUES, 2006, p.45).

a prática.

      O sistema “ioguico” exposto por Patanjali no Yogasutra propõe a prática e o desapego para se alcançar o estado de Yoga, diz Rodrigues (2006), sendo composto por oito passos, a saber:

      1º e 2º – Yama e Nyama: normas de conduta e atitudes para os que

      almejam saúde mental.

      3º – Asana: posturas psicofísicas ou atitudes corporais.

      6º – Dharana: concentração.

      4º – Pranayama: controle dos impulsos respiratórios.

      5º – Pratyahara: abstração dos sentidos.

      6º – Dharana: concentração.

      7º – Dhyana: meditação

      8º – Samadhi: meditação profunda (RODRIGUES, 2006, p.51)

      De acordo com Massola (2008), as duas primeiras partes são preceitos éticos, que possibilitam desenvolver valores e virtudes na busca de respeitar si próprio e os outros. São eles: Ahimsa (não-violência), Satya (verdade, não mentir), Asteya (não roubar), Brahamacharya (fazer tudo muito bem feito, Aparigraha (não acumular, desapego), Sauca (pureza, limpeza), Samtosha (contentamento, gratidão a tudo), Tapas (perseverança, disciplina), Svadhyaya (estudo com dedicação) e Isvara-Pranidhana (caminho espiritual, crescimento interior). A autora ainda comenta que não importa por qual preceito você comece, pois um leva ao outro. Kupfer (2002), diz que não são fáceis essas práticas, o ideal é escolher um preceito para começar e ir cultivando o habito de segui-lo fielmente, assim os demais serão alcançados gradativamente, pois estão interligados e atuam em sinergia.

      “Em conjunto, estes constituem os dez princípios de conduta que, se seguidos fielmente, proporcionarão ao praticante um estado de otimismo que assegurará saúde para a mente.” (RODRIGUES, 2006, p.51).

      Segundo Kuvalayananda (2005), a observância das yamas e niyamas é a preparação mais essencial para a prática das asanas (3º passo), para que produzam seus melhores resultados. É exatamente pela importância que foram colocadas como 1º e 2º passo.

       A terceira parte do sistema yogue, as asanas termo da raiz sânscrita “as”, significa sentar-se (SOUTO, 2009). Segundo Esteves (2007), são posturas psicofísicas nas quais se permanece imóvel, firme e confortável durante certo tempo. Concentrando-se na região do corpo que esta sendo trabalhada, executando de forma lenta, conciliando a uma respiração consciente e controlada. Em geral estas posturas ou posições têm nomes de animais ou coisas relacionadas à natureza, também semelhantes a exercícios de alongamento, caracterizadas pela permanência numa condição de controle e conforto, buscando o relaxamento do esforço e o prazer em estar na postura (RODRIGUES, 2006). O autor acrescenta que estas posturas são divididas em 3 grupos: culturais, de meditação e de relaxamento, cada qual com suas características conforme  citadas abaixo:

  • posturas culturais – posturas que promovem o  treinamento da coluna vertebral, a força  e a flexibilidade dos músculos, o  equilíbrio fisiológico com máximo vigor orgânico;
  • posturas de meditação – posturas sentadas com algumas modificações buscando conforto e estabilidade na busca do desenvolvimento da meditação;
  • posturas de relaxamento – posturas que permitem total descontração muscular para manutenção  da vida, como por exemplo a respiração.

      Patanjali definiu a prática de asanas como uma estratégia para transcender a consciência humana indo além do físico e estabelece no Yogasutra que a asana deve ser estável e confortável, provavelmente referindo-se as posturas meditativas. As posturas culturais ajudam a preparar o corpo para a permanência nas posturas meditativas (SOUTO, 2009).

      O corpo é um instrumento fundamental que temos para enfrentar a vida, cada parte influencia o todo. Uma prática de asana feita corretamente, com cuidado, atenção, sem passar do limite, buscando bem-estar ao final e após os exercícios, sem dor, pode ajudar muito posturalmente (CAMARGO, 2008).

       A prática das asanas no que refere a sua execução apresenta características que as distinguem de qualquer outra espécie de exercícios, tais como: permanências progressivamente prolongadas, extrema lentidão de execução, são realizadas de forma suave evitando o esforço, e a absoluta necessidade que a execução de cada postura seja acompanhada de três fatores importantíssimos como a respiração, o relaxamento e a atitude mental adequada (BLAY, 2001). Não estipulando um padrão de execução e nem colocando metas de desempenho motor, mas deixando claro que cada praticante é um ser único e isso faz com que a prática também seja (OLIVEIRA e TAVARES, 2006). Possui uma combinação de ingredientes que pode ser alterada ou adaptada de acordo com a necessidade do momento e condições de cada um (ESTEVES, 2007).

      A postura torna-se perfeita quando o esforço para realizá-la desaparece de forma que não haja mais movimentos no corpo. Assim, também sua perfeição se cumpre quando a mente se transforma em infinito, isto é, quando ela faz da idéia do infinito seu próprio conteúdo (ELIADE, 1997).  Conforme Hermógenes (1988), a finalidade principal de uma postura (asana) é sempre de natureza mental.

      Conforme Danucalov e Simões (2006), muitos no ocidente reduzem o Yoga a um grupo de exercícios de alongamento para desenvolver a flexibilidade, apenas como um método de treinamento físico. O sistema yoguico foi desenvolvido com objetivo de conduzir o praticante à autotransformação, na busca de um estado de liberdade, paz e felicidade interior. Muito mais que um treinamento físico é um treinamento mental. As posturas yoguicas são somente a camada externa deste sistema.

      Após a prática das asanas vem a de pranayama (o 4º passo) palavra esta, composta de prana (respiração) e ayama (pausa), entendido como a total suspensão do reflexo respiratório por um período mais ou menos longo, que Patanjali define no Yogasutra, sendo a pausa no movimento de expiração e inspiração, evidenciando como elemento principal a retenção da respiração, libertando a mente de pensamentos egoístas, favorecendo uma maior visão da realidade e concentração (SOUTO, 2009).

      “Pranayama é de longe o exercício mais útil para um praticante que visa aos aspectos físicos. Para o praticante que visa aos aspectos espirituais, é da mais alta importância.” (SOUTO, 2009 p.113).

      Acrescenta Kuvalayananda (2008), que Patanjali no Yogasutra aponta quatro tipos de pranayama, distinguindo-os pela natureza da pausa. O primeiro a pausa se dá após exalação completa, o segundo a pausa vem em seguida a uma profunda inalação. Em ambos conta-se com um esforço especial retendo a respiração para fora ou para dentro. O terceiro a pausa vem de uma vez, por um tempo considerável, sem esforço físico e no quarto, uma pausa similar decorre de muitas inalações e exalações que a precedem. Nenhum esforço especial para reter a respiração é solicitado no terceiro e no quarto pranayama.

      A prática de pranayama possibilita expandir o nível de consciência mental, pelo controle da respiração. Assim como a respiração se altera de acordo com o estado de espírito, também o estado psicológico pode ser alterado pelo controle da respiração (BROWN, 2009). É um dos canais mais importantes de acesso para as emoções, com isso, abre a porta para o sistema nervoso, favorecendo o processo de meditação que segue diferentes graus que são: pratyahara, dharana, dhyana e samadhi, passos que completam o sistema yoguico de Patanjali (RODRIGUES, 2006).

      Em pratyahara (abstração dos sentidos), com a mente controlando os sentidos, as distrações externas diminuem, conduzindo a dharana (concentração), foca a atenção num objeto e mantém, abrindo caminho para dhyana e samadhi, este último, o estado iluminado de fusão com o absoluto (BROWN, 2009).

     Dharana deriva da raiz “dhr”, significa manter comprimido, fechado, o primeiro estado meditativo com objetivo de manter uma relação consciente com o objeto de concentração (SOUTO, 2009). Conforme Feuerstein (2005), é a contenção da mente em um estado de imobilidade, é o direcionamento da atenção para um determinado suporte, podendo ser uma parte específica do corpo, um objeto ou som externo.

     Dhyana (meditação) é um estado interior pessoal, uma tomada de consciência ímpar, de auto-suficiência, serenidade, liberdade e autoconhecimento. Nesse momento, o local, o tempo e tudo mais, parecem inexistir (ESTEVES, 2007). A palavra meditação significa “familiarizar-se com” e é uma maneira de explorar o eu interior, de nos voltarmos para dentro de nós mesmos. Ajuda a lidar com o stress, relaxar, aquietar a mente e a equilibrar as emoções (BROWN, 2009).

      Rodrigues (2006), esclarece que o desenvolvimento da meditação é lento e progressivo e não se aprende, acontece naturalmente para quem pratica Yoga na sua totalidade. Iyengar declara que:

Meditação não é algo que possa ser expresso em palavras. Deve ser vivenciada pelo praticante. A meditação também não pode ser ensinada. Se alguém disser que está ensinando meditação desconfie. Essa pessoa não é, em absoluto, um iogue. (IYENGAR, 2009, p.196).

    Em 2004 Ott, no artigo sobre a meditação: “Caminho de transformação e cura”, escreve que nesta prática o indivíduo se transforma numa testemunha compassiva de suas próprias experiências, evitando decisões prematuras, e se abrindo para novas possibilidades, transformação e cura.

      O 8º passo, samadhi, é o estado em que o praticante se une com o objeto de sua meditação, o Supremo Espírito, que governa o universo e vivencia uma paz e um contentamento indizíveis (IYENGAR, 2009). Nesse estado ocorre a expansão total da consciência, até unir-se com o universo (FERNANDES, 2005).

      Para Brown (2009), samadhi é um estado de êxtase, onde pensamentos erráticos são neutralizados, o yogue exerce o controle sobre a mente e sua turbulência é acalmada.

      Esclarece Rodrigues (2006), que Yoga é ao mesmo tempo um meio e o fim, ou seja, uma filosofia prática e o estado mais profundo de meditação, o samadhi, de difícil alcance para muitos, mas o empenho em realizar algumas práticas de forma bem orientada pode trazer inúmeros benefícios.  E complementa:

      “Nunca devemos nos esquecer do principal objetivo do Yoga, que é a “aquietação da mente”. Caso contrário, o que estaremos fazendo não será Yoga.” (RODRIGUES, 2006, p.55).

      Além dos oito passos propostos por Patanjali, outras técnicas foram desenvolvidas no contexto da linha Hatha Yoga, focando efeitos específicos nas funções orgânicas dos praticantes. São elas: mudras, bandhas e os kriyas (SILVA, 2007). O autor diz ser importante lembrar que o nome mudra significa símbolo e, na tradição indiana, trata-se geralmente de gestos simbólicos feitos com as mãos. Também se caracterizam por pressões em pontos sensíveis do organismo. Os bandhas a tradução mais direta é trava ou chave, técnicas que podem ser consideradas como modalidades especificas de mudras, comparados a faixas que apertam determinadas regiões do corpo, gerando compressão de espaços internos. E por fim, os kriyas como técnicas de purificação do corpo.

      Para Brown (2009), a prática de Yoga pode ser um simples conjunto de exercícios físicos ou pode ser temperada com idéias que despertem o interesse dos alunos e os fazem refletir, além de instigá-los a buscar respostas para o mistério da vida. A prática regular traz benefícios a médio e longo prazo para o corpo, a mente e a alma.

      De acordo com Silva (2007), é muito importante o professor de Yoga adaptar a prática de acordo com as características de cada individuo, mas sem descaracterizá-lo respeitando uma tradição milenar, para que todos possam ser beneficiados deste maravilhoso sistema filosófico-prático de dimensões amplas, na busca da integração do “ser” em seus aspectos físico, mental e espiritual e em última instância, integra-se a “totalidade” conduzindo ao desenvolvimento da meditação.

As práticas do Yoga como um todo, ou separadamente em alguns de seus aspectos, trazem benefícios incalculáveis, sejam de ordem física, fisiológica ou psíquica. Aparecem como resposta natural para as necessidades de nossa época, cheias de tensões e pressa. (RODRIGUES, 2006, p.59).

      Segundo Kupfer (2002), o Yoga consiste em um método de auto-regulação consciente, conduzindo o ser humano a uma relação harmônica das funções psíquicas, cognitivas, afetivas e psicomotoras, do bom funcionamento orgânico e de melhoras nos processos como a atenção e a concentração, ou seja, tratando o ser humano em todas as suas esferas existenciais; físico, psíquico, mental e emocional.

       Uma prática simples e bem orientada, para Gharote citado por Silva (2007), deve constar com pelo menos uma postura para cada movimento básico da coluna (flexão, extensão, inclinação lateral e rotação), incluir a prática de inspirações e expirações controladas, sentar-se com a intenção de meditar por algum tempo e uma postura de relaxamento (shavasana) ao final. Em shavasana, a postura do cadáver ou do morto, assim mais conhecida, permite relaxar o corpo e a mente, abandonar todas as preocupações do dia e mergulhar num estado de quietude mental (BROWN, 2009).

      A execução da técnica de relaxamento conforme estudos de Benson, Bernard e Marzetta (1974), promove o aumento de ondas (alfa) e (beta) eletroencefalográficas, que resultam no aumento da atividade nervosa parassimpática e na redução da ativação nervosa simpática. Essas modificações levam à redução da taxa metabólica, caracterizada pela redução do consumo de oxigênio e da produção de dióxido de carbono. O relaxamento alivia as tensões mentais e físicas, revitaliza todo o organismo, ajudando o homem a enfrentar as dificuldades do seu cotidiano com muita serenidade e equilíbrio emocional (BROWN, 2009). Tem a finalidade de restaurar as energias em geral, além de melhorar os níveis de atenção e concentração, já que o individuo relaxado pode produzir melhor, raciocinar melhor e controlar o distress e a ansiedade (DANTAS, 2001).

      Na realização das posturas com os exercícios respiratórios e uma atitude mental disciplinadora das emoções conjugadas, facilitam o estado de relaxamento, proporcionando tantos benefícios que fica difícil enumerá-los (HERMÓGENES, 1988).

      A prática de Yoga possibilita mudar, transformar, ir de encontro à promoção de uma vida com melhor qualidade num contexto mais amplo e integrativo. Buscando harmonia e conexões entre o humano, o espiritual e o biológico (MORIN, 2001).

       “O Yoga ilumina a vida, ajudando a pessoa a se ver sob uma nova luz.” (IYENGAR, 2009, p.13).

      Uma das razões de a prática de Yoga ser tão restauradora está no fato de, mesmo que seja apenas por um instante, existe apenas a realidade do momento presente.  Você começa em algum ponto conhecido e usando o corpo e a respiração, move-se em direção ao desconhecido. Ao abrir o corpo e a mente nas posturas de Yoga e nas práticas respiratórias, você abre-se para a experiência profunda e prazerosa de quietude interior (BROWN, 2009).

Benefícios.

       Pessoas de todos os tipos de constituição, de todas as idades e condições físicas podem praticar Yoga, mas é especialmente benéfica a partir da meia idade quando declinam a resistência a enfermidades e o poder de recuperação do corpo, pois a prática gera energia e não a dissipa, levando a uma condição mais saudável e satisfatória (IYENGAR, 2009). O autor ainda afirma que nunca é tarde demais para praticar, pois em certa idade o corpo começa a sentir os efeitos do tempo. O ideal é simplesmente começar e procurar manter um ritmo de prática regular.

      Os professores de Yoga, Roberto Propheta e Jõao Vieira, do Yogamitra-Centro de estudos e práticas de Yoga (2010), informam que a prática de Yoga pode proporcionar muitos benefícios, sendo os mais importantes deles tão sutis que é difícil descrevê-los em termos objetivos, só praticando realmente. Por outro lado, há também outros benefícios que fazem parte do processo que podem ser facilmente observados, descritos e até mensurados, tais como:

  • estabelece saúde, resistência física  e mental;
  • oferece outra perspectiva para lidar com o estresse, as tensões a que estamos submetidos no dia-dia e a ansiedade;
  • aumenta flexibilidade, coordenação motora e força muscular;
  • desenvolve concentração, disciplina, autocontrole e autoconfiança;
  • reeduca a respiração e aumenta a capacidade cardiorrespiratória;
  • promove expansão da consciência;
  • harmoniza corpo, mente e emoções;
  • estabelece relaxamento e bem-estar.

      A professora de Yoga Beatriz Esteves (2007), por muitos anos trabalhou com idosos na GAMA (Grupo de Atendimento Multidisciplinar ao Idoso Ambulatorial) ministrando práticas de Yoga constatou ser um complemento eficiente para saúde e bem-estar dos mesmos. Ela observou que as técnicas cientificamente comprovadas do Yoga, proporcionam aos seus praticantes: um corpo sadio, prolongando-se, assim, a juventude; estabilidade mental, indispensável para o controle dos problemas emocionais e a ampliação da capacidade de concentração e memória; autoconhecimento e autodomínio, necessários para uma vida harmoniosa e serena consigo mesmo e com seus semelhantes.   E ainda enfatiza:

Minha convicção de que a riqueza da prática do Yoga é realmente algo não só possível – mas importantíssimo para conservar, restituir e proporcionar saúde física, mental e espiritual às pessoas de qualquer idade, se confirma cada vez mais. O Yoga não promete milagres de cura ou aumentar os anos de vida, mas sim, melhorar o funcionamento do corpo e proporcionar maior equilíbrio emocional, tranqüilidade e alegria de viver. (ESTEVES, 2007, p.13).

      Nas práticas de asanas, o sangue alimenta as extremidades e a profundidade do corpo, mantendo as células sadias, favorecendo muito os idosos, que normalmente tem uma irrigação limitada (IYENGAR, 2009).

      Embora as posturas do idoso possam não ser tão estendidas, elas trazem os mesmos benefícios e em qualquer condição física, o relaxamento, o pranayama e a meditação são sempre possíveis, sendo adaptados de acordo com as necessidades (BROWN, 2009).

       Relata Silva (2007), que por outro lado os idosos tendem a ter mais facilidade nas práticas meditativas por terem maior predisposição a interiorização e espiritualização neste momento da vida.

      Segundo Wilson Filho citado por Guadagnine e Olivoto (2004), com o envelhecimento ocorre alterações fisiológicas, como a diminuição da massa óssea e muscular; aumento do índice de fadiga; redução do fluxo sanguíneo; diminuição da flexibilidade, agilidade, equilíbrio, força e coordenação motora.

      Alves, Baptista e Dantas (2006), constataram em suas pesquisas que a prática de Yoga pode ser considerada uma alternativa promotora da saúde e da qualidade de vida em idosos, promovendo melhora da capacidade física (flexibilidade, força muscular, e equilíbrio) e da autonomia funcional.

      A prática de Yoga aumenta a flexibilidade independente da idade ou nível de aptidão física da pessoa. O corpo foi feito para se movimentar, mas os hábitos sedentários de muitas pessoas acabam fazendo com que o corpo perca a flexibilidade. Para as pessoas idosas, ou aquelas que possuem uma rigidez crônica nas articulações, a prática oferecida no Yoga, executada de forma lenta e suave, sem competição, respeitando o limite natural, torna-se muito apropriada (ESTEVES, 2007).

      Com o envelhecimento, ocorre à diminuição da força e da flexibilidade dos músculos respiratórios, redução da capacidade respiratória e da complacência pulmonar, tornando os idosos mais propensos a vários problemas respiratórios, que são agravados com a poluição e os hábitos de vida (ALVES; BAPTISTA, 2005). Tribastone (2001), relata que os exercícios de alongamento anterior e posterior do tronco, que são utilizados na prática do Yoga, contribuem na otimização da manobra da expiração forçada (pico de fluxo expiratório), promovendo a melhora da biomecânica da musculatura expiratória.

      O estudo de Bezerra et al. (2005), utilizou a prática de Yoga em mulheres idosas durante 3 meses, foi observado melhoras na pressão inspiratória e expiratória máxima, bem como na capacidade vital forçada.

      Estudo verificou alterações na função respiratória (volume e pico de fluxo expiratório) em idosos, melhorando a capacidade respiratória induzidas pela prática de Yoga, constatou benefícios para função pulmonar, conseqüentemente, promoveu a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos (ALVES; BAPTISTA, 2005). A respiração ritmada do pranayama (exercícios respiratórios) na prática de Yoga é antioxidante, tornando-se tranqüila está-se retardando a morte e ganhando vida com mais saúde para os idosos (HERMÓGENES, 2007).

      Scheneider et al. (2005), confirmaram em seus estudos, uma redução de 23% da mortalidade geral, 30% na mortalidade por doenças cardiovasculares e 49% na mortalidade por câncer, nos idosos hipertensos que praticam meditação, quando comparados com a população equivalente não praticante.

      Atualmente a medicina reconhece as técnicas de relaxamento, entre elas a do Yoga, como um processo restaurador e complementar da saúde humana, favorecendo uma melhora no perfil psicofísico, principalmente dos indivíduos idosos, que são alvos de tantas tensões emocionais acumuladas ao longo de suas vidas (DANTAS, 2001). Alguns efeitos do relaxamento, comprovados cientificamente, são citados pelo autor.  São eles:

  • o eletrocardiograma registra acentuada redução do ritmo cardíaco bem maior do que no estado de sono profundo;
  • redução acentuada do consumo de oxigênio, isto é, a queda do metabolismo basal;
  • redução do ritmo respiratório;
  • diminuição significativa na concentração de lactato arterial, reduzindo a ansiedade;
  • aumento da memória em 12% e ampliação de percepção em até 40%;
  • aumento de até 300% no fluxo sanguíneo para os músculos esqueléticos, podendo ser este o responsável pela diminuição do nível de lactato sanguíneo;
  • ajuda a eliminar o excesso de adrenalina produzida e restabelece a homeostase interna do organismo;
  • durante o estado de relaxamento e meditação, o individuo encontra-se no estado alfa, onde a mente possui um maior domínio sobre o corpo, atribuindo então um maior poder curativo e transformador a auto-sugestão.

      Safons (2002), expressa em seu estudo que a prática de Yoga é capaz de oferecer a saúde física, psicológica e social aos idosos.

Sem qualquer dúvida podemos afirmar que a prática do Yoga, mesmo iniciando-a na terceira idade, pode melhorar acentuadamente a qualidade e quantidade de vida, pois o sistema é aplicável aos seres humanos de todas as idades, tomando-se os cuidados pertinentes a cada fase da vida. (HERMÓGENES, 2007, p.11).

      Doutor Luís Mário Duarte, médico psiquiatra e neurologista, citado por Hermógenes (2007), declara que:

Sem qualquer dúvida podemos afirmar que a prática do Yoga, mesmo iniciando-a na terceira idade, pode melhorar acentuadamente a qualidade e quantidade de vida, pois o sistema é aplicável aos seres humanos de todas as idades, tomando-se os cuidados pertinentes a cada fase da vida. (HERMÓGENES, 2007, p.11).

Conteúdo do TCC (Trabalho de Conclusão do Curso) de Célia Cortez/Pós-Graduação – UGF (Universidade Gama Filho).